Comece pelo porquê: tenha um propósito para o seu negócio

30 de Novembro de 2021

A maioria das empresas não sabe porque os seus clientes são seus clientes, ou porque seus funcionários são seus funcionários. A verdade é que a maior parte delas está tomando decisões e direcionando suas ações com base em um conjunto incompleto e falho de suposições sobre o que impulsiona o negócio. Sem saber do porquê de uma empresa existir, como vender uma ideia, prospectar novos clientes ou fidelizar funcionários?

Em contrapartida, os poucos líderes que restam, preferem inspirar a manipular pessoas quando desejam motivá-las. Sejam eles pessoas, negócios, organizações, todos esses pensam, agem e comunicam de uma forma comum, um padrão. O Golden Circle (ou, em português, Círculo Dourado) é uma figura de linguagem criada pelo especialista em liderança Simon Sinek, autor de vários best-sellers, incluindo Start With Why, Leaders Eat Last, Together is Better e The Infinite Game. Tentando entender a chave para o sucesso, Simon pesquisou profundamente sobre empresas e líderes como Apple e Martin Luther King, os quais ainda conseguem mobilizar um grande número de pessoas a favor de seus ideais e/ou produtos. O que ele percebeu foi que todos os seus objetos de estudo eram dotados de um propósito muito forte, que impedia que, tanto os líderes, quanto os seguidores, desistissem dos seus objetivos mesmo nos piores momentos. 

As pessoas não se inspiram no que um líder faz, mas no porquê do líder fazê-lo. As pessoas não permanecem em um time porque precisam, mas porque se identificam e o querem.

Em suma, um Golden Circle é um conjunto de três círculos concêntricos que se comunicam do interior ao exterior. O interior é: PORQUÊ? O do meio é: COMO? O externo é: O QUÊ?


O QUÊ: toda companhia e toda organização no planeta sabe O QUE faz. São os produtos e serviços que a companhia faz ou vende. 

COMO?: algumas companhias e algumas pessoas sabem COMO elas fazem O QUE fazem. Os COMOs são apresentados para explicar o modo pelo qual alguma coisa é diferente ou melhor. 

POR QUÊ?: poucas pessoas conseguem articular com clareza POR QUE fazem O QUE fazem. O PORQUÊ trata de seu propósito, causa ou crença. 

O poder do PORQUÊ não é só opinião, mas também é biologia. Se você olhar para uma seção transversal do cérebro humano, de cima para baixo, verá que os níveis do Círculo Dourado correspondem com precisão aos três princípios do cérebro: a parte mais nova, o neocórtex, corresponde ao pensamento racional, analítico  e pela linguagem - associado ao porquê; já as duas seções do sistema límbico, no centro do cérebro, são responsáveis por todos os sentimentos, como confiança e lealdade - correspondendo ao como e ao porquê. Os princípios do Círculo Dourado são muito mais do que uma hierarquia de comunicação. Eles estão profundamente fundamentados na evolução do comportamento humano. 

O padrão que existe na maneira de pensar, agir ou comunicar na maioria das empresas é de fora para dentro do círculo dourado, ou seja, dizem O QUE fazem, às vezes dizem COMO o fazem, mas raramente dizem POR QUE fazem O QUE fazem. Como sempre incentivamos nossos leitores a serem autênticos, disruptivos e inovadores, trouxemos essa reflexão de inverter esse padrão. 

Comece pelo porquê! Ser autêntico não é requisito para o sucesso, mas passa a ser se você quiser que o sucesso seja duradouro. Isso nos leva de volta ao PORQUÊ. Autenticidade é quando você diz e faz o que acredita de verdade, mas, se não sabe POR QUE você existe em um nível além de O QUE você faz, então é impossível saber se as coisas que diz ou faz são consistentes com seu PORQUÊ. Sem o PORQUÊ, toda tentativa de autenticidade quase sempre será inautêntica.

A energia empolga, mas o carisma inspira. A primeira é fácil de ver e de copiar. Carisma é impreciso demais para copiar. Todos os grandes líderes têm carisma porque todos os grandes líderes têm clareza quanto ao PORQUÊ; uma inesgotável crença em um propósito ou uma causa maior do que eles mesmos. 

Descobrir o PORQUÊ, ironicamente, não é a parte mais difícil. Manter-se totalmente equilibrado e autêntico é a parte mais difícil. Em uma Reunião dos Titãs, na Endicott House, MIT, fez-se a seguinte pergunta aos grandes empresários presentes: quantos tinham atingido suas metas financeiras. Cerca de 80% das mãos se ergueram. À pergunta seguinte, quantos eram bem-sucedidos, 80% das mãos baixaram. Isso faz emergir a questão do porquê. Cada um desses donos de negócios sabia O QUE tinha feito. Todos sabiam COMO tinham feito. Mas muitos não sabiam o PORQUÊ de terem feito. 

Agora, vamos pensar como fazemos negócio: sempre estamos competindo com alguém, tentando ser melhores do que outros no nosso nicho, ter mais qualidade, um melhor serviço e um melhor atendimento. Agora, vamos pensar como seria se o nosso foco fosse sermos transformadores em algum sentido na vida de quem o nosso negócio toca, por nenhuma outra razão. Imagine se toda organização começasse pelo PORQUÊ. As decisões seriam mais simples. A fidelidade seria maior. A confiança seria moeda corrente. 

Bora construir um negócio TRANSFORMADOR?
 

Giulia Massuco

Escrito por

Giulia Massuco

Content, Culture and Process Manager na Funnil

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